Movimento Slow Living: já chegamos na etapa da slow productivity?

julho 25, 2022

Sabe aquela sensação de que você precisa de uma pausa, mas as tarefas e responsabilidades simplesmente não param de se acumular? O Slow Living pode ser a resposta para minimizar este peso que sentimos no dia a dia

Tenho certeza de que todo mundo já se sentiu esgotado, e sei como isso pode ser frustrante. Afinal, mesmo que desacelerar a vida seja necessário, a ideia de mudar de rotina ainda soa como uma espécie de irresponsabilidade para muitas pessoas. 

E se eu te contar que uma coisa não anula a outra? O movimento Slow Living foi criado justamente para: 

  • minimizar a sobrecarga diária;
  • favorecer uma vida simples;
  • incentivar hábitos saudáveis. 

Tudo isso sem prejudicar em nada a sua produtividade

Parece bom demais para ser verdade? Neste artigo, eu explico melhor o que é Slow Living, como ele pode ajudar você a viver sem pressa e ainda melhorar seu desempenho profissional. 

Acompanhe e confira também algumas dicas para aplicá-lo no cotidiano.

O movimento Slow Living para uma vida mais calma e saudável 

Hoje quase não existem barreiras nas nossas vidas, concorda? 

Podemos nos conectar com pessoas a todo momento, receber notícias do mundo inteiro em tempo real, trabalhar para empresas de todo o planeta, ver todo tipo de conteúdo nas redes sociais, e por aí vai. 

A tecnologia certamente proporcionou benefícios incríveis para a rotina pessoal e profissional de todos. Contudo, em meio às telas e notificações, qual foi a última vez que você parou e simplesmente relaxou?

Estamos vivendo em um ritmo frenético. Atualmente, parece impossível ter um momento de lazer sem se preocupar com a passagem do tempo, fazer só uma coisa por vez ou simplesmente recusar uma tarefa pouco importante, porque nos sentimos cansados. 

Os resultados dessa rotina acelerada impactam diretamente nossa saúde. Dados da OMS divulgados pelo Globo apontam que 18,6 milhões de brasileiros têm ansiedade. Isso representa quase 10% da população e coloca o Brasil como país mais ansioso do mundo. 

Apesar da nossa “liderança”, essa é uma realidade global. Como se não bastasse, a pandemia agravou ainda mais a situação, por conta do isolamento, das incertezas e da sobrecarga de trabalho a que muitos se submeteram diante da crise econômica. 

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, o período pandêmico desencadeou um aumento de 25% na prevalência de ansiedade e depressão em todo o planeta. Ou seja, a necessidade de desacelerar a vida nunca foi tão atual e urgente

A tecnologia e os hábitos contemporâneos aceleram o mercado, a rotina nas empresas e a própria convivência das pessoas. Contudo, há muito tempo se sabe que “botar o pé no freio” é imprescindível para ter mais equilíbrio, saúde e até mesmo produtividade. 

O que é Slow Living?

O movimento Slow Living começou na década de 80. Ele foi inspirado pela ação Slow Food, que surgiu como forma de protesto pela inauguração de um fast food ao lado da Escadaria Espanhola, em Roma. 

A ideia era combater a ideia de comer com pressa e valorizar a qualidade dos alimentos. Aos poucos, o ato inspirou outros movimentos no combate à aceleração social, um fenômeno já observado por alguns estudiosos da época.

O tema então passou a ser refletido em várias áreas. Surgiram os conceitos como: 

  • Slow Cities, em resposta ao ritmo frenético das cidades;
  • Slow Fashion, em contrapartida às redes de fast fashion;
  • Slow Work, frente à cobrança excessiva de horas no trabalho.

Todos esses movimentos incentivaram as mesmas reflexões: 

  • Faz sentido ter uma vida tão ansiosa? 
  • Precisamos correr a todo momento ou fazemos isso porque foi dito que é normal? 
  • Por que não usar melhor nossas energias e acelerar apenas quando for realmente necessário?

A partir desse entendimento, os movimentos foram condensados em um mesmo pensamento: o Slow Living, conceito que não propõe simplesmente fazer tudo devagar, mas sim usar o tempo de forma consciente.

O foco é valorizar o bem-estar, por meio de um melhor equilíbrio entre satisfação pessoal e profissional. Hoje, muitas organizações inspiram-se nessa “filosofia” para lidar com problemas atuais. 

A cidade japonesa de Iwata, por exemplo, promove o Slow Living desde 2003 entre sua população, já que o Japão é conhecido pelo seu ritmo acelerado. Desde então, a prefeitura adota medidas para desacelerar todos os setores locais, em prol do bem-estar dos moradores. 

Em outros países desenvolvidos, destacam-se iniciativas como a Sociedade Europeia para a Desaceleração do Tempo e a Fundação Longo Agora dos EUA (isso mesmo, até o maior mercado do mundo já entendeu que precisa ir devagar). 

A Slow Productivity como forma de evitar o burnout 

Enquanto governos e organizações ainda discutem ações para viabilizar o Slow Living, basta olhar ao redor para perceber que as iniciativas para desacelerar nossa sociedade ainda estão longe de se concretizar.

Na verdade, a impressão é que o ritmo cotidiano só se torna cada vez mais frenético. Felizmente, há o crescimento diante da conscientização desse problema. Tanto que um número crescente de profissionais e empresas têm atuado juntos para encontrar alternativas. 

Com isso, o conceito da vez é o Slow Productivity. Antes que você pense que essa é só mais uma em meio às inúmeras vertentes do Slow Living, já vou avisando que ela merece atenção especial e pode fazer toda a diferença na sua rotina. 

Mais alinhada às demandas atuais dos trabalhadores do que suas predecessoras, essa corrente visa melhorar a produtividade do trabalho. Contudo, o pressuposto para tornar isso possível é priorizar os hábitos saudáveis e um estilo de vida simples

Como a Slow Productivity funciona?

Sempre que o volume inicial de trabalho aumenta, o mesmo acontece com os sentimentos de estresse e sobrecarga. Como consequência, não só o tempo restante para realmente realizar as tarefas diminui, como também a qualidade entregue no final delas. 

Frente a isso, o foco da Slow Productivity é tornar o volume de atribuições sustentável. Antes, movimentos como o Slow Work não dariam conta do recado. Afinal, simplesmente diminuir as horas trabalhadas só iria gerar mais correria diante do acúmulo de responsabilidades. 

No caso da Slow Productivity, o objetivo é tornar a rotina mais sequencial. Ou seja, o profissional se concentra em um número limitado de tarefas por vez. Dessa forma, as novas obrigações só chegam quando as anteriores estiverem concluídas. Isso vai ao encontro também do foco e do que já sabemos que não funciona: a multitarefa (multitasking), que é tentar fazer diversas coisas ao mesmo tempo.

Portanto, o volume total de trabalho não é reduzido, só é melhor distribuído. Isso significa que o receio de que os colaboradores irão produzir menos torna-se infundado. Na verdade, acontece justamente o contrário.

Afinal, a quantidade total de atribuições segue igual. A diferença é que ela não fica se acumulando a todo momento. Sem a ansiedade de ter uma “pilha crescendo na mesa”, as pessoas se focam no que realmente interessa no momento. 

Como resultado, a conclusão das tarefas se torna mais rápida e tranquila. Ao mesmo tempo, a qualidade do trabalho melhora, assim como o engajamento e o bem-estar do profissional. 

Dicas para desacelerar e aplicar o Slow Living na sua vida 

Agora que você já sabe como é possível aplicar a Slow Productivity no trabalho, que tal expandir os benefícios do Slow Living a toda sua rotina? Para desacelerar a vida, basta se organizar no dia a dia e fazer algumas mudanças simples de hábitos. Conheça as principais:

Curta e explore a natureza

Existem belezas naturais que acontecem diariamente, bem diante dos nossos olhos. Contudo, a correria nos faz ignorá-las. A conexão com a natureza faz parte do ser-humano e promovê-la é fundamental para ter energia e bem-estar. Por isso, procure apreciar o nascer do sol, fazer uma pausa para ouvir o barulho da chuva ou frequentar o parque sempre que for possível. 

Nutra relações importantes

Outra necessidade comum a todos é nutrir relações. O Slow Living também motiva um cuidado maior com as pessoas ao nosso redor. Isso significa não deixar que o ritmo acelerado diminua a presença e a troca de afeto com as pessoas que amamos, ou mesmo a atenção plena e a escuta ativa junto àqueles que trabalham conosco, por exemplo.

Prefira uma vida simples e confortável

O estresse gera a busca por prazeres momentâneos. Isso muitas vezes motiva compras por impulso, que “recompensam” os esforços da rotina. O problema é que os gastos causam mais ansiedade, tornando o problema uma “bola de neve”. O ideal é prezar por uma vida simples, sem compras excessivas e inúteis, apenas as necessárias para nosso conforto e felicidade. 

Repense sua relação com o tempo

Pense sobre as atividades que mais ocupam a sua rotina. Isso o deixa satisfeito ou você gostaria de ocupar seu tempo com outras coisas? A velocidade faz sentido em todos os afazeres ou você poderia aproveitar melhor suas energias? Repense o dia a dia, priorize só o que for estritamente necessário e tente gerenciar o tempo para fazer mais o que gosta. 

Evite o multitasking

O mercado atual enxerga o multitasking como algo positivo. Contudo, fazer várias coisas em simultâneo, não é sinônimo de produtividade e muito menos leva a uma maior produtividade. Na verdade, isso sobrecarrega o seu cérebro, você perde tempo de raciocínio nas trocas de tarefas e acaba esquecendo pontos importantes que estava fazendo nas atividades anteriores, o que te demanda ainda mais tempo depois para finalizar o que havia começado – se é que você consegue retornar a todas as tarefas. Acumular trabalho e atender urgências o tempo todo só gera ansiedade. Com o tempo, a frustração só aumenta e a qualidade do trabalho diminui. O ideal é priorizar as tarefas uma por vez e fazê-las com calma.

Conecte-se com o que vale a pena

Muitas vezes são os dispositivos eletrônicos que nos dão a sensação de que a rotina está acelerada. Perdemos horas do dia em frente às telas sem notar, deixando de fazer outras atividades além de responder mensagens e “rolar o feed”. 

No Slow Living, é importante sair um pouco de perto do celular e do computador para aproveitar melhor outros hábitos. 

Faça pausas

Se a rotina de trabalho for agitada, parar um pouco pode gerar culpa, contudo, é importante exercitar esse hábito. Com pequenas pausas ao longo do dia, você alivia o estresse e recarrega as energias para voltar a ser produtivo. Fora do expediente, não abra mão dos momentos ociosos, seja para uma leitura, um encontro com os amigos ou um simples passeio. 

Tenha cuidado com a mentalidade da escassez

A mentalidade da escassez nos faz acreditar que todo momento que não é “produtivo” é uma perda de tempo. Contudo, lembre-se que você é valorizado pela qualidade daquilo que faz, não pela quantidade. Permita-se relaxar e ter um tempo só para você. Se tentarmos ser produtivos o tempo todo, nosso melhor potencial não se manifestará em momento nenhum. E digo mais: o que é de fato ser produtivo? Vale a pena a reflexão!

Lembre-se: A tartaruga é lenta mas vive 100 anos!

E aí, você acha que tem qualidade de vida e uma rotina saudável? Ou será que o dia a dia está servindo apenas para trabalhar? Será que vale a pena se esforçar tanto sem nenhum momento de lazer? Você já fez essas perguntas para si mesmo?

Fazer a autogestão do seu tempo e adotar boas práticas de organização pessoal podem ser excelentes maneiras para impulsionar a sua produtividade enquanto valoriza mais a sua qualidade de vida. 

Inclusive, esse é o melhor caminho para aplicar o Slow Living no cotidiano e colher seus benefícios. 

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marília cordeiro

Criadora de conteúdo e da metodologia Organização Sincera.

Desde 2018 eu facilito a vida de pessoas e empresas com um workflow simples e empático de gestão do tempo.

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sobre marília cordeiro

Desde 2018 trabalho especificamente com produtividade, trabalho remoto e empreendedorismo. Aqui no blog, compartilho conteúdos mais completos, conceitos relevantes e reflexões para levar para você e sua equipe dicas práticas para o dia a dia. Aproveite para aumentar seu conhecimento e se inscreva para receber as novidades!

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