Trabalho flexível: os novos modelos de trabalho pelo mundo

julho 21, 2022

Impulsionadas pelos avanços da tecnologia, as alternativas de trabalho flexível seguem crescendo e se popularizando. Se antes elas eram vistas apenas como tendências, sua implementação se tornou realidade para todo o mercado com a chegada da pandemia.

Diante das limitações impostas pela Covid, os negócios encontraram no modelo remoto um meio para continuar funcionando. Depois que ele se provou viável e muito benéfico a todos os envolvidos, as organizações passaram a enxergar novas opções de jornadas com bons olhos.

Agora diferentes formas de trabalho estão ganhando espaço e se consolidando, beneficiando o dia a dia dos profissionais e as próprias companhias, que buscam soluções capazes de tornar suas rotinas mais práticas, produtivas e alinhadas às novas demandas dos colaboradores. 

Quer entender como o trabalho flexível já está transformando o cotidiano das pessoas e dos negócios? Neste artigo eu abordo as transformações que contribuem para o seu avanço e quais as principais tendências para ficar de olho. Acompanhe.  

Quais mudanças têm contribuído para o avanço do trabalho flexível e a ascensão de novos modelos de trabalho? 

O universo corporativo está passando por mudanças importantes. Até pouco tempo, a maioria das empresas era caracterizada por espaços rígidos, bastante hierarquizados e com relações verticalizadas. 

Contudo, os paradigmas estão se alterando em ritmo acelerado. Isso ocorre na medida em que a tecnologia viabiliza novos modelos de trabalho, os profissionais se empoderam em suas atribuições e as pessoas percebem como a horizontalização é vantajosa para os envolvidos.

Cada vez mais, já se entende que a saúde mental e o bem-estar dos colaboradores são importantes para sua produtividade, e que a entrega de bons resultados vale mais do que meras cobranças. Diversos entendimentos novos estão transformando o mercado, como:

  • Ter boas competências práticas e comportamentais vale mais que acumular títulos formais;
  • Os profissionais não querem mais permanecer na mesma ocupação a vida toda. Mudanças de carreira e atuações freelancers são cada vez mais comuns;
  • A busca por melhores talentos deve remunerar melhor os profissionais requisitados e reduzir os salários daqueles com menos qualificação;
  • Os softwares digitais se tornaram vitais para as rotinas nas empresas. Da mesma forma, as redes sociais tornaram-se ferramentas essenciais de recrutamento;
  • Dominar a tecnologia e os novos modelos de trabalho se tornou vital para todos os gestores. 

A digitalização beneficia bons profissionais. Afinal, ela não só permite a adoção do trabalho flexível, como também valoriza mais os seus talentos. Com ela, aqueles que entregam bons resultados são mais destacados com jornadas adaptadas às suas preferências.

Ao mesmo tempo, as instituições também ganham. Afinal, a tecnologia permite determinar quais são os melhores profissionais, lhes oferecer uma jornada de trabalho mais satisfatória e ainda medir como isso é vantajoso em termos de produtividade. 

Por que o trabalho flexível é uma tendência?

Como você pôde ver, uma organização que se adapta aos diferentes modelos de trabalho consegue conquistar e reter os melhores talentos. Além disso, ainda conta com colaboradores mais engajados, satisfeitos e aptos a gerar mais valor ao negócio.

De acordo com uma pesquisa do Linkedin divulgada pelo G1, as mudanças da pandemia fizeram 78% dos profissionais demandarem mais flexibilidade em suas funções. Inclusive, 30% deles deixariam os seus cargos por falta de políticas adaptáveis. 

Mas afinal, o que as pessoas mais valorizam em uma relação de trabalho flexível? O levantamento também responde essa questão! Entre os principais motivos citados, tiveram destaque:

  • 49% dos profissionais buscam mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional;
  • 43% acreditam que a flexibilidade torna suas rotinas mais produtivas;
  • 40% afirma que o trabalho flexível melhora a saúde mental;
  • 33% defendem que esses novos modelos proporcionam mais prosperidade;
  • 28% entendem que a flexibilidade acelera o desenvolvimento de carreira;
  • 25% valorizam a confiança das empresas no trabalho de quem atua em regime flexível.

Quando pensamos nos benefícios dos novos modelos de profissão, é importante ter em mente que eles vão muito além da atuação remota. No próximo item, conheça as tendências que já se destacam entre companhia e funcionários. 

Novos modelos, jornadas ou ambientes de trabalho pra você ficar ligado

Veja quais são os modelos de trabalho flexível que mais crescem no mercado, a realidade sobre a adesão de cada um deles, bem como suas vantagens e desvantagens mais importantes: 

Teletrabalho

O teletrabalho é uma modalidade não presencial. Inclusive, ele é regulamentado pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017). Estima-se que 46% das empresas o adotaram durante a pandemia, de acordo com dados divulgados pela Agência Brasil

Segundo a norma, trata-se de uma “prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se constituam como trabalho externo”.

Basicamente, o modelo oferece todos os benefícios do trabalho à distância. Ou seja, ele confere mais flexibilidade à jornada de trabalho, torna a rotina mais produtiva, minimiza custos e melhora a qualidade de vida do profissional.

Isso também significa que essa alternativa pode ser pouco vantajosa para quem não gosta de trabalhar por conta própria. Quem não tem uma boa estrutura em casa ou acha importante ter contato com outras pessoas também pode não se adaptar bem.

Vale ressaltar que o regime tele trabalhista prevê que o profissional faça sua própria escala. Desde que entregue o que foi pedido à empresa, ele mesmo define: 

  • Seus horários; 
  • Pausas; 
  • Períodos de refeição. 

Por conta disso, teletrabalho não é o mesmo que home office. No segundo caso, as organizações simplesmente contam com colaboradores trabalhando de casa. Portanto, há menos flexibilidade, com controle de escalas, dos horários de almoço, das horas extras, etc.

Trabalho Híbrido 

Já o trabalho híbrido é aquele em que o colaborador mistura seus horários presenciais com a atuação em home office. Nesse caso, a adaptatividade está em poder escolher onde trabalhar em determinados dias. 

Essa é uma ótima opção para os negócios que não podem funcionar apenas remotamente. Também é interessante para os profissionais que querem desfrutar das vantagens de trabalhar em casa. 

O modelo híbrido não é uma alternativa para empresas 100% digitais. Afinal, é preciso ter infraestrutura física para receber as escalas de colaboradores. Inclusive, essa organização dos horários precisa ser muito bem definida no dia a dia, e sua implementação pode dar trabalho.

Mesmo que exija mudanças estruturais, organizacionais e culturais nas companhias, certamente vale a pena superar os desafios iniciais de trabalhar com jornadas híbridas. Até porque, 58% dos profissionais brasileiros já consideram fazer essa transição, segundo pesquisa da Microsoft.

Nomadismo Digital 

O modelo flexível é visto como um verdadeiro estilo de vida para os nômades digitais. Essas pessoas aproveitam a possibilidade de prestar serviços de qualquer lugar para viajar o mundo e viver alguns períodos em locais diferentes. 

Nesse formato, não importa se a pessoa é empregada fixa de uma empresa, se atua como freelancer, se prefere o teletrabalho ou opera no modelo básico de home office. O único requisito é ter um notebook, conexão à internet e foco para atuar à distância. 

Exercer sua função a partir de hotéis ou imóveis de temporada pode ser excelente para: 

  • Conhecer novos lugares; 
  • Explorar novas culturas;
  • Minimizar a pressão da rotina. 

Contudo, se a ideia é sair do país, muitas vezes isso demanda uma remuneração elevada ou em moeda estrangeira.

Virar um “cidadão do mundo” exige bastante planejamento e desapego, mas é algo possível nesta nova era. O nomadismo digital já tem mais de 35 milhões de adeptos no planeta. Esse número deve subir para 1 bilhão até 2035, como aponta uma pesquisa divulgada na CNN.

Jornada com horários flexíveis 

O trabalho flexível não deveria se referir apenas ao local onde as pessoas exercem suas funções, mas também aos seus horários. Contudo, esse nem sempre é o caso, principalmente em negócios que aderiram ao home office mas seguem com controles de jornadas. 

Claro que algumas profissões exigem escalas fixas (atendentes de lojas precisam estar lá para receber os clientes e professores precisam lecionar no horário da aula, por exemplo). Contudo, há muitos casos em que as pessoas podem decidir atuar nos melhores períodos para elas. 

Inclusive, o horário pode ser aplicado tanto nas organizações que implementaram o home office, quanto naquelas que, por necessidade ou opção, continuam usando modelos estritamente presenciais. 

Em todos os casos, a qualidade de vida na instituição aumenta significativamente. Afinal, isso torna possível escolher trabalhar nos horários em que se é mais produtivo e equilibrar melhor as obrigações profissionais com as particularidades da vida pessoal.

Semanas de 4 dias de trabalho 

Implementar a semana de 4 dias de trabalho já era uma questão levantada por organizações focadas em bem-estar e hábitos saudáveis. Contudo, assim como as demais tendências de trabalho flexível, foi na pandemia que o assunto ganhou mais evidência. 

Durante o período de isolamento, a atuação remota motivou maiores reflexões sobre a relação entre produtividade e volume de horas trabalhadas. Com isso, a redução das jornadas semanais ganhou finalmente o centro das discussões.

A grande referência sobre o tema hoje é a Islândia. Por lá, um experimento nacional testou a escala 4×3 (trabalhar 4 dias na semana e folgar 3 dias) em 1% da população. Entre os resultados observados, destacaram-se melhorias na produtividade e redução dos casos de estresse e esgotamento dos colaboradores.

O sucesso foi tanto, que 86% da força de trabalho islandesa está ganhando o direito de reduzir suas horas laborais. Países como França, Dinamarca, Espanha e Emirados Árabes também começaram a implementar a semana de 4 dias, além de empresas privadas no mundo inteiro. 

Coworkings 

Fechando a lista, os coworkings são locais em que diferentes profissionais e empresas compartilham o mesmo espaço físico. A infraestrutura pode ser compartilhada por negócios específicos ou é possível contratar escritórios por hora, mês ou ano.

O grande benefício é a redução de gastos com despesas fixas e a capacidade de desfrutar de melhores ambientes comuns, que são estruturados coletivamente. Isso sem falar no networking e na troca de experiências diárias com outros profissionais de diferentes ramos.

Essa é a alternativa para quem quer investir menos, lidar com pouca burocracia e ainda ter um espaço de excelência para trabalhar. Evidentemente, há uma maior circulação de pessoas, o que pode não ser bom para quem quer mais foco e privacidade.

Como é uma solução presencial, houve uma pequena queda durante a pandemia. Segundo o site Coworking Brasil, o mercado global de coworkings diminuiu 12,9% de 2019 a 2020. Mas, até 2023, o setor deve recuperar-se e movimentar US$ 11,52 bilhões, crescendo 11,8%. 

Um exemplo disso é a startup BeerOrCoffee, maior plataforma de coworkings da América Latina, que ao final de 2021 recebeu rodada de investimento série A em meio às transformações dos novos formatos de trabalho.

Você consegue lidar com tal liberdade?

Particularmente, eu sou grande defensora e adepta ao trabalho flexível. Desde 2017 atuo dessa forma, praticando o home office e utilizando às vezes os coworkings e, desde o início de 2021, estou também experimentando a vida nômade.

Contudo, apesar de todo o “glamour” que muitos podem pensar, preciso trazer verdades aqui: se você não tem um bom controle e gestão das suas tarefas, não é disciplinado o suficiente para fazer as entregas e cumprir com os prazos mesmo estando com outros benefícios e tentações como passar o dia na praia, esse tipo de trabalho não é para você.

Com toda liberdade, vem a responsabilidade, certo? Portanto, se você ou sua equipe querem investir e conquistar mais liberdade, é fundamental que invistam na capacitação de uma gestão do tempo flexível e funcional. 

Eu posso ajudar vocês com a minha metodologia Organização Sincera, que ensino em meus treinamentos empresariais e também nos meus cursos online e que já ajudou mais de cinco mil pessoas a serem produtivas de forma prática. Que tal conquistar a sua liberdade? Confira aqui os meus cursos.

E para você, qual é o modelo de trabalho ideal?

Agora que você já conhece as principais tendências em trabalho flexível, qual a sua opinião sobre a realidade atual do mercado? Você está satisfeito com o modelo de jornada em que está inserido? Já considerou mudá-lo?

Descobrir o melhor formato para a sua carreira é imprescindível. Afinal, ele está diretamente relacionado à sua produtividade e, principalmente, à sua qualidade de vida! A escolha certa é o que determina o equilíbrio entre esses dois pontos, que são tão importantes para a sua rotina.
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marília cordeiro

Criadora de conteúdo e da metodologia Organização Sincera.

Desde 2018 eu facilito a vida de pessoas e empresas com um workflow simples e empático de gestão do tempo.

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sobre marília cordeiro

Desde 2018 trabalho especificamente com produtividade, trabalho remoto e empreendedorismo. Aqui no blog, compartilho conteúdos mais completos, conceitos relevantes e reflexões para levar para você e sua equipe dicas práticas para o dia a dia. Aproveite para aumentar seu conhecimento e se inscreva para receber as novidades!

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